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Psicanálise, para que te quero?
Há várias correntes psicoterapêuticas, (quase) todas com benefícios e valor. A Psicanálise é uma delas e é a que me salvou, e salva, a vida todos os dias. 

Poderia entrar aqui em elucubrações várias, cantar loas a um métodos que tanto me diz e, ao mesmo tempo, afasta tanta gente. Mas a principal razão pela qual me rendo a esta forma de trabalhar e de viver é esta: a Psicanálise coloca todos no mesmo plano. 

Não há pessoas boas ou más; narcisistas ou abnegadas; empáticas ou psicopatas; somos todos da mesma casta, a humana, e todos, em condições similares, somos capazes da mesma safra. Gostamos de nos achar bons seres humanos, amigos do próximo, somos incapazes de verbalizar, honestamente, um defeito que vá além do "dou-me demasiado ao outro." Adoramos o papel da vítima e fazemo-nos da raça "coitadinha." Nunca ouvi dizer "sou um belo filho da puta", ou "minto com todos os dentes que tenho na boca" e, no entanto, somos todos capazes de filhasdaputice várias (tantas, até, mascaradas de bondade...) e mentimos todos os dias, aos outros e a nós mesmos. 

Não seremos todos psicopatas, mas todos, em situações específicas, somos capazes de matar, agredir ou prejudicar o outro sem olhar para trás. Isso faz de nós criminosos? Não, faz de nós humanos. Não os humanos que gostamos de nos pensar, mas aqueles que somos, realmente.

Quando, em consultório, o paciente se esconde por detrás das suas pequenas cobardias, quando se coloca na posição a quem tudo lhe é devido, e age em conformidade, a Psicanálise, por via do terapeuta, questiona: ai sim? E qual é o seu papel em tudo isso? E, de repente, a "vítima" percebe que, tal como a qualquer pessoa, nada lhe é devido, e que lhe cabe fazer melhor. 

Sem merdas, sem indignações de pacotilha, sem ofensas enxertadas, sem a hipocrisia de que parecemos necessitar para estarmos em grupo, a Psicanálise mostra-nos um espelho cujo reflexo nem sempre gostamos de ver. 

Abrir ou fechar os olhos a isto é um caminho de vida. E de verdade. 







Texto de autoria: Sílvia Baptista

Data: 2024-06-11






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